Artrose

Qual é a definição?
É um processo degenerativo (desgaste) que ocorre a nível da cartilagem do joelho. A cartilagem perde suas propriedades químicas, logo suas funções de amortecimento e de lubrificação da articulação. Fato este que permite a progressão da lesão da cartilagem com consequente exposição do osso subcondral (popularmente conhecido como “osso-com-osso”).

Qual a prevalência?
A artrose dos joelhos é a principal causa de dor em joelho de idosos. Um terço da população acima de 65 anos tem artrose de joelhos.

Por que surge?
A artrose do joelho pode ser primária ou secundária. A primária é disparadamente a causa mais comum e ocorre pelo simples fato de ocorrer o envelhecimento. A secundária ocorre por algum fator conhecido que causa a artrose (exemplo 1: Deformidade de joelho grave não-tratada; Exemplo 2: Lesão meniscal traumática não-tratada). Ou seja, é secundário a algo que aumente a sobrecarga em um determinado local da articulação do joelho propiciando um desgaste precoce.

Quais os sintomas?
O sintoma principal é dor que geralmente piora durante os esforços (andar, subir/descer escadas) e melhora com o repouso. Além da dor, pode haver crepitação, diminuição do arco de movimento, claudicação (ato de o paciente mancar) e aumento do volume do joelho com ou sem derrame articular. Além disso, pode existir deformidade associada (genovaro ou genovalgo). Existe uma tendência de o sintoma ser bilateral, posto que o paciente começa a compensar o peso no lado contralateral gerando dor por sobrecarga no outro joelho.

Qual o quadro clínico típico?
Idoso (a) com quadro de dor arrastada (meses ou anos) com piora progressiva da dor que surge sempre aos esforços (caminhar, subir/descer escadas) e melhora com o repouso. A dor geralmente vem junto de aumento do volume do joelho.

Como se faz o diagnóstico?
O diagnóstico é baseado na história clínica associada a um exame radiográfico.

Como tratar?
O tratamento da artrose de joelho é multimodal, ou seja, em diversas frentes. Listamos os principais:

Medicações para dor:
Dividimos as medicações em medicações analgésicas (combate a dor a curto prazo) e drogas moduladoras (visam o controle da dor a médio/longo prazo).

Medicações de curto prazo:


Analgésicos simples, anti-inflamatórios não-esteroidais e opióides. Medicações de médio/longo prazo:
- Condroprotetores e Colágeno.

Apesar de não ter estudos com nível de evidencia alto comprovando a eficácia dessas medicações, percebe-se uma melhora sintomática em determinados grupos de pacientes. No último consenso de uma Revista de alto impacto sobre o tratamento de artrose do joelho, houve uma indicação que os condroprotetores podem trazer melhora sintomática, apesar de não modificarem a evolução natural do doença.

2) Fisioterapia/Hidroterapia:
Visam a melhora da dor (analgesia) e ganho de ADM. A hidroterapia é padrão-ouro de tratamento, pois a água aquecida já funciona pra analgesia e a resistência da água proporciona trabalhar tanto o arco de movimento como o fortalecimento muscular de maneira atraumática e sem impactos

3) Trocar atividades de impacto:
Em artrose muito sintomática, uma excelente estratégia é trocar atividades de impacto (ex: caminhada, corrida, saltos) por atividades sem impacto (ex: natação/hidroginástica/bicicleta). A dor da artrose está muito relacionada ao impacto. Ao aliviar o impacto, há diminuição de dor e diminuição da progressão da artrose.

4) Fortalecimento Muscular:
O músculo atua como “compartilhador de carga” juntamente com os ossos. Portanto, músculos fortes dividem mais o peso do corpo com os ossos, evitando a sobrecarga articular, evitando as dores da artrose. Convém ressaltar que os exercícios devem ser bem tolerados com dor ausente ou mínima. Os grupos musculares prioritários são o músculo do CORE e dos membros inferiores com ênfase no quadríceps.

5) Alongamento Muscular:
Um músculo alongado é um músculo que tem menos tensão quando solicitado, logo gerando menos dor.

6) Perda de peso:
A pressão gerada no joelho durante uma caminhada normal é algo em torno de 3 a 5 vezes o valor do peso corporal. Caso ocorra diminuição do peso, há uma substancial diminuição na pressão na articulação que, por si só, pode gerar alívio sintomático.

7) Palmihas:
Quando há, além da artrose, uma deformidade no joelho, invariavelmente algum compartimento do joelho ficará sobrecarregado e terá predisposição ao desgaste mais acelerado. No intuito de corrigir parcialmente a deformidade, podem ser utilizadas palmilhas que aliviam a sobrecarga no compartimento do joelho que está sobrecarregado pela deformidade.

8) Uso de muletas e bengalas:
O intuito de se utilizar desses artífícios para deambulação é o de compartilhar cargas. Ao contrário do que muita gente pensa, o uso de apoios deve ser do lado contra-lateral do membro o qual está mais sintomático. Exemplo: Artrose mais grave no joelho direito: usar apoio no lado esquerdo (e vice-versa). Com isso, na hora que o paciente pisar com o pé direito, ele projeta a muleta/bengala do braço esquerdo dividindo o peso do corpo entre o joelho e o apoio.

Tratamentos Invasivos:

Na ausência de melhora com as medidas iniciais e não-invasivas (itens 1 a 8), podem ser utilizados métodos invasivos:

9) Infilitração intra articular:
9.1: Corticosteróides: indicação mais restrita. Possui melhor indicação em pacientes com sinovite franca (ex: pacientes portadores de Artrite Reumatóide). Seu efeito geralmente tem melhor eficácia no curto prazo no tocante ao combate a dor.

9.2: Ácido hialurônico: indicação mais ampla. Tem melhor resposta no paciente com artrose leve até no máximo moderada. Visa melhorar a lubrificação e absorção de impactos. Carece de comprovação de seus benefícios em estudo com alto nível de relevância. Inúmeros pacientes tem melhora expressiva da dor dentro de um prazo de 6 meses a 1 ano. É o tratamento de escolha em artrose de joelho leve-moderada sem melhora com o tratamento conservador não-invasivo.

Tratamentos Cirúrgicos:
É um tratamento utilizado em pacientes submetidos a uma terapia multimodal sem sucesso. O tipo de cirurgia deve ser criteriosamente avaliado pelo especialista afim de obter um resultado cirúrgico esperado.

10) Artroscopia: utilizado na artrose com indicação bem seletiva. Paciente ideal: não-obeso, com alinhamento normal ou próximo do normal, com a presença de artrose restrita a um compartimento na presença de lesão meniscos e/ou corpos livres vistos na Ressonância Nuclear Magnética. Quanto mais se afasta deste perfil de paciente, há tendência de resultados menos satisfatórios.

11) Osteotomia: utilizada para corrigir alinhamento em joelho varo ou valgo. Tem indicação na artrose restrita a um compartimento do joelho e com dor também restrita a este respectivo compartimento, em um paciente abaixo de 60 anos, com arco de movimento normal ou próximo do normal.

12) Artroplastia Total do Joelho (Cirurgia de Prótese): indicada em joelhos com artrose avançada com acometimento de 2 ou mais compartimentos que não obteve melhora com o tratamento conservador.