Sindrome do Trato Iliotibial

Qual é a definição?
- É uma inflamação no trato iliotibial que é um espessamento do envoltório dos músculos da face externa da coxa a nível do joelho.

Qual a prevalência?
- É a segunda lesão mais comum no joelho do corredor e a causa mais comum na face lateral do joelho. Acomete 9.8% dos corredores do sexo masculino e 6.8% das corredoras (sexo feminino).

Por que surge?
-Surge por atrito do trato iliotibial com estruturas ósseas (principalmente o epicondilo lateral). Esse atrito é mais comum em caso de pacientes que apresentam certos fatores de risco.
Os fatores risco intrínsecos ao paciente são: pé plano, pé cavo, angulo Q aumentado (comum nos desalinhamentos do joelho), diferença de comprimento entre os membros inferiores e desalinhamentos no joelho (genovaro/genovalgo), ou seja, o joelho para fora e as pernas para dentro ou o contrário. Em relação aos fatores externos, estão: intensidade e freqüência da corrida, além do tipo de superfície a qual a corrida ocorre.

Quais os sintomas?
-Dor na face lateral (externa) do joelho tipicamente após o início de corridas. A dor é na fase de apoio da marcha quando o joelho está por volta de 30 graus de flexão principalmente na fase de desaceleração. A dor alivia/desaparece no repouso.

Qual o quadro clínico típico?
Paciente corredor que começa dor na face externa do joelho quando inicia corrida. Apresenta alívio (tipicamente completo) após o repouso. Tipicamente, os sintomas surgem após uma mudança na intensidade das corridas ou mudanças no padrão da corrida (ex: corrida em descidas). Com o tempo, as dores vão se iniciando mais precocemente, surgindo após o início imediato da corrida ou mesmo o repouso.

Como se faz o diagnóstico?
-Diagnóstico é clínico. Exames de imagem geralmente são dispensáveis, sendo necessários apenas na exclusão de outros diagnósticos quando os sintomas não são típicos.

Como tratar?
-Dividimos o tratamento em fases.
Fase aguda (0-2 semanas):
Na fase aguda, o foco maior é no controle dos sintomas. Anti-inflamatórios e corticosteróides são utilizados. Associado a essas medicações, indicamos a fisioterapia que deve ser analgésica e fazer uma liberação manual dos "trigger points” (músculos tensor da fáscia lata, glúteo máximo, bíceps femoral e vasto lateral). Pode-se associar a aplicação de gelo no local.
A corrida deve ser suspensa (sugerimos um período mínimo de 6 semanas inicial).
Para manter o condicionamento cardio-respiratório, sugerimos natação. Em caso de paciente muito sintomático, sugerimos natação com trabalho de braço isolado na primeira semana com prancha nos membros inferiores. A partir da segunda semana treino de natação sem restrições.
Após o final da segunda semana, a meta é um paciente sem dor ou muito próximo disso. Na ausência deste objetivo, uma infiltração com corticosteróide
Fase sub-aguda (2-6 semanas):
Nesta fase, objetivamos criar um cenário de preparação do corpo para o retorno aos treinos de corrida. Realizam-se fortalecimento e o alongamento direcionados.

Fortalecimento:
O elemento central a fortalecer é a músculo glúteo médio. Este músculo atua na biomecânica da corrida evitando a adução e a rotação interna excessiva do fêmur que são movimentos que propiciam o atrito do trato iliotibial que geram sua inflamação e dor. Ao se contrapor a esse movimento com um glúteo fortalecido, você tem uma menor tendência de atrito. O fortalecimento do glúteo médio deve ter ênfase em sua região mais posterior com a utilização de exercícios preferencialmente excêntricos e isométricos.

Alongamento:
As principais estruturas que devem estar bem alongadas são: o trato iliotibial, a fáscia lata, o vasto lateral, o bíceps femoral e os glúteos médio e máximo. O alongamento dessas estruturas visa diminuir áreas de tensão que, em última análise, causam dor. Manter condicionamento físico na água

Retorno as corridas:
Pré-requisito para o retorno as corridas é a ausência de dor com boa tolerância em todos os exercícios de fortalecimento.
As corridas iniciais devem ser ao nível do solo com calçados confortáveis e, de preferência, em esteiras de qualidade (com bom potencial para absorção de impactos). Corrida em descida é proibido por gerar um grande estresse a nível do trato.
Em relação a técnica de corrida. Após o contato dos pé ao solo, projete o tronco discretamente para frente. Esse movimento diminui o impacto a nível do joelho.
Inicie a corrida com intensidade e freqüência menores daquelas que você costumava a correr.