1. Toda lesão de menisco precisa de cirurgia?
Não. 80% das lesões de menisco não precisam de cirurgia. O tipo da lesão, sua localização e a presença ou ausência de sintomas mecânicos são o que define o tratamento. Para cada tipo de lesão existe uma conduta específica. Operar sem essa avaliação criteriosa é um erro que o joelho vai pagar caro nos anos seguintes.
2. Quando a cirurgia de menisco é realmente necessária?
Quando o joelho apresenta instabilidade, travamento ou quando a lesão compromete de forma irreversível a função do menisco como amortecedor. Lesões de raiz do menisco, por exemplo, são gravíssimas e necessitam de reparo cirúrgico com material específico. Adiar nesses casos significa evoluir para artrose em poucos anos.
3. Por que evitar a meniscectomia (raspagem) no joelho?
Todos os estudos científicos que comparam a cirurgia de raspagem com fisioterapia para lesões degenerativas do menisco são contundentes: fisioterapia é sempre superior à meniscectomia. Retirar parte do menisco é como retirar parte do amortecedor de um carro. O joelho passa a distribuir carga de forma errada e o desgaste avança. Quando não é possível recuperar o menisco, o foco passa a ser fisioterapia de qualidade, nunca a retirada desnecessária de estrutura.
4. A recuperação após sutura de menisco demora mais?
Nos primeiros dois meses, sim. A prioridade nesse período é proteger a sutura enquanto o corpo realiza a cicatrização inicial. Após esse tempo, a liberação é feita de forma gradual. Vale entender a diferença: sutura de menisco significa recuperação inicial mais restritiva, mas preserva o joelho. Meniscectomia oferece recuperação inicial mais rápida, mas compromete o joelho a longo prazo.
5. Quanto tempo o paciente fica de muleta após cirurgia?
Depende do tipo de cirurgia. Após sutura de menisco, o período com muletas costuma ser de quatro a seis semanas para proteger a cicatrização. Após a recontrução de LCA, esse tempo é bem variável. O protocolo é definido caso a caso, considerando o tipo de lesão, a técnica utilizada e as condições do paciente.
6. Qual o papel do fortalecimento muscular no tratamento do joelho?
Fortalecimento de qualidade não é complemento, é a parte principal para qualquer protocolo para joelho saudável. É impossível ter articulações saudáveis sem musculatura forte e bem direcionada. O problema é que fortalecer de forma errada pode machucar mais do que ajudar. Por isso o acompanhamento de fisioterapeuta ou educador físico especializado é necessário.
7. Sinto que meu joelho sai muito do lugar em vários momentos, precisa de cirurgia?
Sim. Quando o joelho apresenta instabilidade recorrente mesmo após fortalecimento adequado, o problema é estrutural. O ligamento não está cumprindo sua função de estabilizar a articulação. Cada episódio de instabilidade desgasta mais o menisco e a cartilagem, às vezes de forma irreversível. Evitar a cirurgia nesse cenário é adiar um problema que vai voltar maior.